O QUE VOCÊ ANDA TOCANDO?
Imagine só essa cena: duas bandas com nomes diferentes, mas com os mesmos integrantes tocando as mesmas músicas e arranjos. Provavelmente, ao ouvir o disco, seria muito difícil dizer qual banda está tocando, né?
O mesmo acontece com instrumentistas, acredite. Por exemplo, é muito fácil saber quando o B.B. King está tocando blues, ou até mesmo reconhecer a Aretha Franklin a quilômetros de distância; esse fenômeno se dá pelo fato de que essas pessoas possuem uma identidade musical forte.

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Estamos vivendo um período na bateria onde muitas pessoas tocam as mesmas frases e ritmos, fazendo com que elas soem praticamente iguais. Em um mundo com tanta gente tocando, isso não é algo interessante para nossa carreira como baterista.
CÓPIA x INFLUÊNCIA
É óbvio que devemos aprender grooves e viradas de bateristas que admiramos, mas o que realmente faz uma pessoa ser reconhecida é a sua criação própria. Vinnie Colaiuta afirma que “sob pressão a nossa tendência é tocar frases que já conhecemos e que nos fazem sentir em casa”, ou seja, provavelmente vamos nos apoiar em ritmos e viradas de pessoas que copiamos para aprender.

Tony Williams, por exemplo, foi um batera que, através de sua personalidade própria na bateria, influenciou (e influencia) bateristas no mundo inteiro: Billy Cobham, Cindy Blackman, John Bonham, Mitch Mitchell, Dennis Chambers, Karen Carpenter e muitas outras pessoas.
Apesar de toda a influência, todas essas pessoas trabalharam duro para conseguir criar sua maneira própria de tocar. A consequência disso é que todas elas se tornam reconhecidas por suas criações.
O QUE FAZER?
O primeiro (e mais básico) passo é escolher algumas viradas/grooves que você gosta e tirar tudo.
É muito importante sua leitura e escrita musical estar em dia. Apesar de todos os mitos que rondam este tema, se você quer levar a música a sério precisa aprender teoria. Isso sem dúvida vai te ajudar a “tirar” melhor os ritmos e viradas das músicas e solos que você gosta; é como escrever o que alguém está falando.
Após escolher algumas frases da sua preferência, tente criar algumas variações da mesma virada e orquestrar de outras formas. Você pode começar de maneira simples, somente com caixa e chimbal e adicionar outras peças da bateria aos poucos.
Você toca o que você estuda, portanto, comece a praticar as variações que você criou e, após alguns meses, provavelmente tudo isso já vai fazer parte do seu vocabulário de forma natural.
CONCLUSÃO
É interessante criar uma identidade musical para conseguir que as pessoas te reconheçam tocando. Use suas influências para criar sua própria linguagem e parar de soar como todas as outras pessoas!

Colunista do Blog do Baterista e Baterista da Banda Mamamute!